Levantamento mostra que existe tendência de redução em oito das doze regiões hidrográficas e em todos os biomas do país.

De acordo com estudo inédito do MapBiomas, o Brasil está secando. O levantamento, parte da série Brasil Revelado: 1985-2020, mostra que existe uma tendência de redução da superfície de água em oito das doze regiões hidrográficas e em todos os biomas do país. O Mato Grosso do Sul é o estado com maior índice de subtração, 57%. Foram analisadas imagens de satélite de todo o território nacional entre 1985 e 2020. A plataforma é uma iniciativa multi-institucional que envolve universidades, organizações independentes e empresas de tecnologia.

Em 1991, a superfície coberta por água do Brasil era de 19,7 milhões de hectares. Já no ano passado, diminuiu para 16,6 milhões de hectares. Houve, portanto, uma redução de 15,7% no país. A perda de 3,1 milhões de hectares em 30 anos equivale a mais de uma vez e meia a superfície de água da região nordeste em 2020.

O estado com a maior perda absoluta e proporcional de superfície de água na série histórica de 35 anos foi o Mato Grosso do Sul, com redução de 57%. Se em 1985 o estado tinha mais de 1,3 milhão de hectares cobertos por água, em 2020 eram apenas pouco mais de 589 mil hectares: perda de 780 mil hectares no período. Em segundo lugar está o Mato Grosso, com menos 530 mil hectares, seguido por Minas Gerais, com um saldo negativo de 118 mil hectares.

Segundo a equipe de pesquisadores, mudanças no uso e cobertura da terra, construção de barragens e de hidrelétricas, poluição e uso excessivo dos recursos hídricos para a produção de bens e serviços alteraram a qualidade e disponibilidade da água em todos os biomas brasileiros. Ao mesmo tempo, secas extremas e inundações associadas às mudanças climáticas aumentaram a pressão sobre os corpos hídricos e ecossistemas aquáticos.

É necessário, dizem os cientistas, implantar a gestão e uso sustentável dos recursos hídricos considerando as diferentes características regionais e os efeitos interconectados com o uso da terra e as mudanças climáticas. “Caso contrário, será impossível alcançar as metas de desenvolvimento sustentável”, explica Carlos Souza, coordenador do grupo de trabalho de Água do MapBiomas.

Fonte:

Alessandro Giannini

Clique para ler a matéria completa