Proponho adicionarmos indígena à bioeconomia. Fica assim: bioeconomia indígena. Quando colocamos o sobrenome em determinado tema ou assunto é para falarmos da especificidade e da realidade diferenciada dos povos indígenas. É bom lembrarmos que os povos têm direito a especificidade e diferenciada política no Brasil desde a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

Essa forma de lidarmos com as coisas demonstra que temos a habilidade de nos adaptarmos a qualquer realidade sem deixarmos de ser o que somos. Podemos aprender toda e qualquer coisa, mas jamais deixaremos de ser indígenas. Os nossos conhecimentos milenares sempre serão nossas bases de adequação.

Esse assunto da bioeconomia é muito importante porque no período de 18 a 20 de outubro vai acontecer o Fórum Mundial de Bioeconomia na cidade de Belém, no Pará. O evento vai reunir palestrantes e especialistas de todo o mundo para que a cidade seja palco deste debate essencial para o desenvolvimento sustentável. A agenda é composta por quatro eixos temáticos, que serão abordados durante o evento:

(1) A Bioeconomia: Pessoas, Políticas do Planeta;

(2) Líderes globais e o mundo financeiro;

(3) Bioprodutos ao nosso redor, e;

(4) Olhando para o futuro.

Podemos ver que esse assunto vem sendo tratado mais constantemente desde o ano de 2011 no Brasil, sendo discutido como alternativa no contexto de mudanças climáticas e como fundamental para desenvolvimento sustentável junto à biotecnologia.

Mas antes disso precisamos entender bem o que é Bioeconomia. A bioeconomia surge como resultado de uma revolução de inovações aplicadas no campo das ciências biológicas. Estuda os sistemas biológicos e recursos naturais aliados à utilização de novas tecnologias com propósitos de criar produtos e serviços mais sustentáveis e diversos. Envolve, por isso, vários segmentos industriais como as indústrias de processamento e serviços e relaciona-se ao desenvolvimento e à produção de fármacos, vacinas, enzimas industriais, novas variedades vegetais e animais, bioplásticos e materiais compósitos, biocombustíveis, produtos químicos de base biológica, cosméticos, alimentos e fibras.

Quando se trata da Amazônia, essa nova economia tende a levar ao cultivo dos recursos naturais no lugar de sua extração, aplicando-os à produção de medicamentos, combustíveis, insumos agrícolas e outros materiais usados na indústria.

Carlos Nobre, pesquisador aposentado do INPE e atual pesquisador do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo, é um dos que têm se dedicado à causa com o conceito de Amazônia 4.0, defendendo a transformação da floresta em um polo de tecnologia que fomente o empreendedorismo sustentável.

Ou seja, uma bioeconomia baseada na valorização da rica biodiversidade amazônica, que leve ao desenvolvimento de uma industrialização a partir da biodiversidade, com sistemas agroflorestais, restauração de áreas desmatadas e cultivo de espécies valorizadas economicamente. Manter a floresta em pé e associar tudo isso a indústrias locais para agregar valor.

O Brasil é detentor de cerca de 20% da biodiversidade do planeta, a maior do mundo, o que deve ser visto como um ativo econômico com muitas oportunidades de negócios.

Mas quem mora milenarmente nesta terra e na Amazônia? Quem conhece há milênios a biodiversidade? Segundo a pesquisa do INPA junto a comunidade Baniwa, apesar da colonização, desvalorização de sua cultura e de seus conhecimentos ancestrais, os Baniwa ainda conhecem 80% da biodiversidade. Portanto, os povos indígenas têm autos e avançados conhecimentos associado à biodiversidade.

Fonte:

André Baniwa

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